Tecnologia da marinha brasileira ajuda nas buscas por submarino argentino

Tecnologia da marinha brasileira ajuda nas buscas por submarino argentino

As autoridades argentinas já disseram que as buscas continuarão com toda força, à procura de rastros concretos do submarino. Doze países estão envolvidos nos esforços, incluindo Brasil e EUA. A Ma

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As autoridades argentinas já disseram que as buscas continuarão com toda força, à procura de rastros concretos do submarino. Doze países estão envolvidos nos esforços, incluindo Brasil e EUA. A Marinha do Brasil distribuiu 470 militares entre as três embarcações enviadas para auxiliar a Marinha da Argentina. Foram disponibilizados o Navio Polar Almirante Maximiano, o Navio de Socorro Submarino Felinto Perry e a Fragata Rademaker, segundo o Comando de Operações Navais. A Força Aérea Brasileira (FAB), por sua vez, enviou duas aeronaves para auxiliar na procura da tripulação: a SC-105 Amazonas SAR e a P-3AM Orion, com 37 tripulantes na operação.

NA quinta-feira, o porta-voz da Marinha da Argentina, Enrique Balbi, explicou que a anomalia hidroacústica detectada pelos Estados Unidos durante as buscas ao submarino foi identificada como "um evento anômalo singular curto, violento, não nuclear e consistente com uma explosão". O ruído apareceu nos radares utilizados pelos EUA ainda na quarta-feira, às 10h31, três horas depois do último contato feito pelo submarino.

— Continuamos buscando até ter evidência concreta sobre onde está o submarino e nossos 44 tripulantes. Até não ter certezas ou outros indícios continuaremos com o esforço de busca. Não podemos fazer uma afirmação concludente — disse Balbi.

O submarino argentino desapareceu no último dia 15. Com 44 tripulantes a bordo, o ARA San Juan perdeu a comunicação com a base na zona do Golfo de San Jorge quando se dirigia da Base Naval de Ushuaia, no extremo Sul da Argentina, para Mar del Plata. A principal hipótese é uma falha elétrica, provável responsável pela falta de comunicação com terra.

O Navio de Socorro Submarino Felinto Perry levou 25 mergulhadores até o local do último contato feito pelo submarino ARA San Juan. A embarcação conta com equipamentos de apoio ao mergulho, que permitem mergulhos conduzidos a até 300 metros de profundidade. Com características operacionais singulares, o navio brasileiro pode ter papel fundamental no resgate. Entre elas estão a câmara hiperbárica com capacidade para oito mergulhadores, um veículo de operação remota com câmeras de vídeo, manipulador e sonar.

Já a Fragata Rademaker foi incorporada à Marinha do Brasil em 1997. Além de possuir um sonar de casco Ferranti-Thomson Type 2050, o navio Type 22 Batch tem capacidade de operar com aeronaves de porte aproximado ao do AH-11A Super Lynx - um helicóptero que alcança velocidade máxima de 167 nós e teto máximo operacional de nove mil pés.

O último é o Navio Polar Almirante Maximiano, utilizado para realizar pesquisas polares. A embarcação, que estava a caminho da Estação Antártica Comandante Ferraz, foi incorporada à Marinha em 2009 e possui ecobatímetro multifeixe para grandes profundidades, guincho cenográfico e hangar para abrigar duas aeronaves UH-12/13 Esquilo. Dentro do navio existem ainda cinco laboratórios.

Foram disponibilizadas duas aeronaves da FAB para sobrevoar a área de buscas: a SC-105 Amazonas SAR e a P-3AM Orion. O primeiro, adquirido em agosto e operado pelo Esquadrão Pelicano, foi desenvolvido e equipado especialmente para realizar missões de busca e salvamento. O SC-105 tem radar com abertura sintética capaz de monitorar 360 graus em um raio de até 370 km, imageamento por infravermelho e integração de sistemas. De acordo com informações da FAB, a aeronave pode "detectar alvos tão pequenos quanto um bote e acompanha-los em movimento na superfície com até 139 km/h".

Já o P-3AM Orion, operado pelo Esquadrão Orungan, conta com sistema de radar e busca por infravermelho - fator que possibilita a visão noturna, uma vez que é possível localizar objetos pela temperatura emitida por eles. Com quatro motores, o P-3AM tem grande capacidade de voo, podendo se manter no ar por até 16 horas. Além disso, também está em uso o detector de anomalias magnéticas. O instrumento possibilita encontrar massas metálicas submersas e permite, com o lançamento de sonobóias, captar sinais abaixo da superfície da água.