Bebê de três meses morre à espera de remédio em falta em Fortaleza

Bebê de três meses morre à espera de remédio em falta em Fortaleza

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Um bebê de apenas três meses morreu nesta terça-feira (5) no Hospital
Infantil Albert Sabin, em Fortaleza à espera de um remédio em falta. Os
familiares acusam a unidade de negligência - por não fornecer um
medicamento necessário para o tratamento da criança. Riquelme Souza não
resistiu a uma infecção generalizada.


"Um hospital daquele de referência não tinha uma medicação pra chegar
uma criança do jeito que ele pra tomar uma medicação?! Não tinha?! Aí é
de revoltar. Porque está aí, perdi meu filho. Por causa de uma
medicação", desabafa, indignada, a mãe da criança, Patrícia Santana.


A revolta da mãe é a mesma da avó da criança, Marlene Arruda.
"Realmente eu acho que o meu neto morreu por falta de um atendimento
médico, de um recurso melhor lá dentro. Justamente essa infecção
generalizada que deu nele, de uma hora pra outra", disse.


De acordo com a secretária-adjunta da Saúde do Estado, Isabel
Cavalcante, o medicamento é de alto custo e que a chegada do remédio ao
Ceará demanda muito tempo pelo fato de não ser produzido no Brasil. Ela
reforça que não houve demora.

Distúrbio na regulação da insulina

  Famlia obteve na Justia liminar determinando o fornecimento do remdio Foto TV Verdes MaresReproduo
Família obteve na Justiça liminar determinando o fornecimento do remédio (Foto: TV Verdes Mares/Reprodução)


Riquelme nasceu com hiperinsulinismo, que é um distúrbio na regulação
da insulina. Os médicos dizem que esse problema causa a hipoglicemia: o
baixo nível de açúcar no sangue. Por isso, ele precisava do "Proglicem"
para ser tratado.


Enquanto a família não recebia o remédio, a criança teve que ser
internada. De acordo com a família, o bebê ficou internado durante dois
meses e 21 dias no Hospital Albert Sabin. Durante esse tempo pegou três
infecções. Os familiares dizem que a última foi mais forte e ele não
resistiu.


Durante a internação, a família lutou para que a criança conseguisse o
medicamento que o bebê precisava. Segundo a avó, o ele morreu porque não
foi submetido a um tratamento adequado.

“Quantas
crianças não vai morrer pela falta de medicação lá? se o meu neto
morreu, fora os outros que já morreu. Aliás, não foi o primeiro neto que
faleceu lá não, meu. já morreu outro. Tá com nove meses que faleceu um
neto meu lá."


Os familiares chegaram a entrar na Justiça. Por meio de uma liminar,
receberam o remédio. Mas, a caixa permaneceu fechada. “Ontem
[segunda-feira] eu recebi a medicação, mas o meu filho nem deu pra usar a
medicação por causa da infecção que ele teve do hospital. A caixa ficou
fechada".


O pai da criança, Tiago de Souza, diz que não sabe o que dizer e a dor é
grande. Como outros familiares ele culpa a direção do hospital.


"Eu não tenho nem palavras pra explicar nesse momento o que eu estou
passando. Eu não desejo pra ninguém. É uma dor horrível que eu estou
sentindo nesse momento. Eu não tenho palavra não, mas o que eu tenho a
dizer que é cem por cento a culpa é daquele hospital."

Medicamento de produção internacional

  Remdio em falta  importado e demora a chegar ao Brasil afirma Secretaria da Sade Foto TV Verdes MaresReproduo
Remédio em falta é importado e demora a chegar ao Brasil, afirma Secretaria da Saúde (Foto: TV Verdes Mares/Reprodução)


O Hospital Albert Sabin informou que não vai se pronunciar e que toda
demanda do caso será resolvido pela Secretaria de Saúde do Estado
(Sesa).


"Esse medicamento na verdade nós consideramos de alto custo em
consideração com outros medicamentos adquiridos no sistema de saúde. Mas
esse medicamento, ele não é produzido no Brasil. Ele não tem registro
na Agência Nacional de Vigilância Sanitária, por isso, ele precisa de um
procedimento de importação", afirmou a secretária-adjunta Isabel
Cavalcante.


"Para fazer esse procedimento de importação requer um tempo, requer
procedimentos e medidas legais para o setor público na aquisição disso.
Para nós não houve uma demora na aquisição do medicamento. Até porque
existem outros pacientes que utilizam esse medicamento. Cumprimos o
prazo que foi judicialmente nos dado, que foi de 30 dias", completou.


Ao ser questionada se a falta de medicamento ocasionou a morte da
criança, a secretária-adjunta disse que não está claro se a morte foi
ocasionada pela falta do remédio e reforçou da dificuldade de ter o
medicamento pelo fato do mesmo não existir no Brasil.


"Eu não acompanhei a criança e lamentamos a morte dele. Mas não temos
clareza que foi a falta do medicamento. A doença que ele tem é o excesso
de insulina orgânica no organismo. Ele já nasceu com esse problema.
Tanto que o tempo de vida dele foi muito curta de apenas dois meses e
alguns dias. Lamentamos porque ele já trouxe essa deficiência orgânica.
Entre a chegada clínica ser diagnosticada e ser prescrita esse
medicamento e o medicamento chegar necessita de um tempo porque não é um
medicamento que se compra em qualquer indústria brasileira."


Fonte: G1


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